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Veneno de escorpião pode ajudar no tratamento contra o câncer, diz estudo que inclui professora do Mestrado do UNIFEMM

Estudo comandado por cientistas mineiros, incluindo uma professora do UNIFEMM, ganha destaque internacional ao ser publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature

Uma pesquisa de cientistas mineiros, divulgada recentemente na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, que reúne as principais publicações médicas do mundo, descobriu no veneno do escorpião amarelo, Tityus serrulatus, espécie comum no Brasil, uma toxina que pode abrir um novo caminho para o tratamento contra o câncer. O trabalho do grupo de cientistas, dentre eles a professora Carolina Campolina, coordenadora do Mestrado Profissional em Biotecnologia e Gestão da Inovação do Centro Universitário de Sete Lagoas, UNIFEMM, indica que a substância pode se transformar em um importante condutor de medicamentos,  uma vez que ela é capaz de penetrar no núcleo das células e atuar de maneira mais efetiva em âmbito  celular.

A toxina recebeu o nome CPP-Ts e sua característica é aumentar a contração em células de músculo cardíaco, estando relacionada diretamente aos sintomas do envenenamento por escorpião, que são taquicardia e hipertensão arterial. O estudo, intitulado CPP-Ts: a new intracelular calcium chanel modulator and a promising tool for drug delivery in câncer cells, é liderado pelo professor titular do Departamento de Biologia Geral da UFMG, Dr. Evanguedes Kalapothakis.

A descoberta e a descrição dessa toxina já são, por si só, um marco importante na pesquisa científica do país, mas o grupo foi além. “Como a substância era capaz de atravessar membranas, os pesquisadores identificaram que ela seria um importante carreador de medicamentos que têm alvos no núcleo de células”, explica a professora Carolina Campolina.

Após a descoberta, a etapa seguinte foi fazer uma modificação na estrutura da substância para que ela perdesse qualquer atividade farmacológica e servisse apenas como um carreador inerte. “A toxina modificada não era mais capaz de causar contração celular, mas ainda detinha a propriedade de se dirigir ao núcleo. De forma surpreendente, essa toxina modificada não entrava em células normais, mas atingia o núcleo de células tumorais de câncer de mama, próstata, pele, cólon e pulmão”, revela a professora.

A descoberta já tem uso patenteado pela UFMG e apresenta um grande potencial de aplicação para o tratamento do câncer. Como próximos passos, os pesquisadores pretendem ligar a toxina CPP-Ts a drogas utilizadas no tratamento da doença, para que ela direcione esses quimioterápicos apenas para células tumorais. “Espera-se que a entrega específica da droga às células de câncer resulte em um tratamento mais eficiente, com utilização de doses menores do fármaco e menos efeitos colaterais da terapia.”

Mesmo sendo divulgada em uma das publicações de maior impacto no meio científico, Carolina conta que todo o processo para a veiculação durou cerca de 4 meses entre submissão e revisão. “A publicação ocorre por ‘revisão por pares’ ou ‘peer-review’. Após submeter o trabalho para o periódico, precisamos aguardar que o editor e pelo menos mais dois revisores realizem possíveis correções do artigo.”

O outro lado da moeda

Devido à alta taxa de ocorrências no país, acidentes com picadas de escorpião são considerados um problema de saúde pública. De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil são registrados aproximadamente 120 mil novos acasos a cada ano, com cerca de 140 óbitos.

 

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