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Nossa gente pelo mundo: Ex aluno conta porque trocou a Odontologia pelo Direito

Depois de formar em Direito, Walcely Antônio de Almeida tentou concursos para a Polícia Civil do Amapá e também do Paraná. Nos dois estados assumiu o cargo de delegado titular e atualmente está em Foz do Iguaçu. Saiba porque depois de engrenar uma carreira na Odontologia com clientes e consultório próprio, ele decidiu estudar Direito. Confira abaixo:
 

Sua vida profissional deu uma reviravolta impressionante. De uma carreira bem sucedida na Odontologia, Walcely Almeida decidiu estudar Direito. Mas, ao invés de optar pela advocacia onde poderia levar uma vida parecida com a que viveu durante 15 anos em consultório, ele resolveu combater a criminalidade. É isto mesmo, o dentista virou delegado da Polícia Civil. O primeiro cargo efetivo foi no Amapá, em uma das regiões onde o poder político e financeiro dos “coronéis” é um forte adversário para as forças de segurança. Na linha de frente das operações, teve que escolher outro estado para atuar, depois de o “clima ficar insustentável”. Walcely atualmente é delegado em Foz do Iguaçu, cidade de fronteira que também apresenta fortes desafios para esta nova profissão.
 

Depois de engrenar uma carreira na Odontologia com clientes e consultório próprio, por que você decidiu estudar Direito?
Walcely Almeida - Quando terminei a  pós-graduação  em  Endodontia, em 2001, havia feito alguns contatos para aproveitar os créditos da pós em um Mestrado e começar a lecionar na área. Minha vida seria focada na Endodontia. Mas em vez disto decidi que era o momento de diversificar os estudos e fazer outra faculdade.  Na época, já tinha a noção que a especialização em uma única área do conhecimento vai direcionando o modo de pensar das pessoas, e estas, inevitavelmente, vão ficando com  uma  visão  limitada  do  mundo. 
 

Você pensou em advogar ou a ideia sempre foi fazer concurso para a área de segurança?
Walcely Almeida - Quando fui fazer a faculdade de Direito meu único objetivo era diversificar os estudos, não tinha a menor idéia do que viria adiante. O concurso veio de forma natural, depois que comecei a estudar apareceram oportunidades de participar de vários.  Como comecei a sair bem, me dediquei.
 

Sua primeira aprovação em concurso para a Polícia Civil foi para o Amapá. Que cenário você encontrou lá do ponto de vista de sua nova profissão?
Walcely Almeida - Quando cheguei ao Amapá havia um imenso turbilhão político, inclusive com a prisão de diversos políticos e a investigação de autoridades de todos os poderes e órgãos.  Apesar de  parecer  ruim  iniciar  uma  carreira  neste  cenário  caótico,  soube aproveitar as oportunidades que vieram. Em pouco tempo já trabalhava em operações policiais com a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual e Federal.  Foi uma ascensão muito rápida, em poucos anos  já  participava  de  cursos  de “Lavagem de Dinheiro” patrocinados pelo Ministério Público. Tinha acesso a softwares e equipamentos avançados e auxiliava na coordenação de grandes operações.
 

A região norte do país é apontada como um cenário onde o coronelismo político e econômico predominam. Você teve algum tipo de problema quanto a isso?
Walcely Almeida - O Brasil como um todo é regido por “coronelismos”. De norte a sul, onde quer que se vá, alguém estará no comando dos “currais eleitorais”. É um problema brasileiro, apesar de ser mais bem percebido em locais onde a iniciativa privada é muito incipiente. Hoje a maior parte do trabalho das pessoas e empresas é administrada por políticos. O dinheiro sai (ou deixa de entrar) no bolso das pessoas e vai para algum dos órgãos públicos ou entidades a eles vinculadas e são estes políticos que decidem como o dinheiro deve ser gasto. Enquanto o Brasil não devolver poder aos seus cidadãos, diminuindo o tamanho da máquina pública, estes problemas não vão acabar.

Por que você decidiu deixar o Amapá e tentar a profissão de delegado em outro estado?
Walcely Almeida - Desde que fui morar no Amapá já havia decidido que seria de forma provisória, mas quando saí minha situação no Estado estava insustentável, devido à investigação de pessoas influentes, sobretudo quanto ao desvio de dinheiro público.

Neste novo estado, quando foi sua primeira função?
Walcely Almeida - Comecei a trabalhar em Curitiba, onde fiquei por um ano. Quando surgiu uma oportunidade de ir para Foz do Iguaçu, uma cidade excepcional, aproveitei. Como sou novo na carreira aqui poderia, caso necessário, ser mandado para qualquer lugar do Estado, se continuasse em Curitiba. Preferi escolher a ficar esperando já que em Foz do Iguaçu consigo uma maior estabilidade dentro da 6ª SDP (regional de Foz).

Faça  uma  analogia  sobre  a  realidade  das  duas  regiões  do  país  onde  já  trabalhou, principalmente na área de segurança?
Walcely Almeida - O Brasil passa por uma crise na segurança pública, de forma geral. Todas as cidades, em grau maior ou menor, têm problemas de segurança. As pessoas não andam mais pelas ruas sem risco de serem assaltadas ou mortas.  No Brasil a crise de segurança é geral, desde o Amapá, passando por Minas bem como aqui no Paraná, as pessoas estão acuadas enquanto as cidades são tomadas pela criminalidade, que está a cada dia mais violenta.

A região de fronteira onde você está é sempre apontada como um corredor de entrada para drogas e armas no Brasil. Como a polícia trabalha para combater este tipo de ação?
Walcely Almeida - A polícia faz o que pode, mas há pouco investimento na fiscalização da imensa fronteira brasileira, que é bem permeável à entrada de todo tipo de mercadoria.  Depois que atravessa,  grande quantidade de droga é retirada de circulação todos os dias, mas enquanto houver um mercado consumidor disposto a pagar, haverá gente disposta a se arriscar em produzir e distribuir estas drogas.  E se segue com o problema das armas, que são apreendidas em larga escala, mas outro volume ainda maior abastece o mercado ilegal no país. Enquanto o cidadão comum é proibido de ter uma arma para se defender, os criminosos estão se armando melhor, com armas mais sofisticadas  e  poderosas,  para  praticar  seus  crimes  da  maneira  que bem entendem, contra uma população desarmada.

Recentemente Foz do Iguaçu foi notícia por uma ação ousada  onde  criminosos  brasileiros assaltaram  uma  empresa  de  valores  no  Paraguai. Bandidos dispõem de estrutura avançada para atuar na fronteira?
Walcely Almeida - A criminalidade não respeita a divisão territorial dos países. Simplesmente visualizaram a oportunidade de fazer um assalto à empresa no país vizinho, nos moldes que já atuam no Brasil, e o fizeram.  Estava de plantão em Foz do Iguaçu no dia do assalto, mas os bandidos não vieram pela Ponte da Amizade apesar desta rota para o Brasil ficar a poucos quilômetros do local do roubo. Preferiram atravessar para o Brasil pelo Lago de Itaipu, alguns quilômetros ao norte, desviando a rota da cidade de Foz do Iguaçu.

Foz do Iguaçu também é apontada como um forte pólo turístico do Brasil. Morar numa cidade com estes atrativos ameniza a saudade pela distância de amigos e familiares?
Walcely Almeida - Foz do Iguaçu é uma cidade cheia de atrativos, mas quando se mora e trabalha na cidade, no cotidiano, você se acostuma com o que tem. Para matar a saudade, vou sempre duas a três vezes ao ano em Sete Lagoas.

via:Jornal Sete 

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