Memórias: Preparados para o Futuro - Unifemm
(31) 2106 2106 | ouvidoria@unifemm.edu.br

Notícias Unifemm

Memórias: Preparados para o Futuro

Em um mundo que muda a todo instante, uma década se desdobra e se multiplica quando paramos e olhamos para trás por um breve instante e observamos as inúmeras ações que empresas e pessoas são obrigadas a realizar para se adaptarem, para continuar sempre evoluindo. Esse exercício, aplicado ao caso do UNIFEMM, nos mostra uma série de grandes e pequenas decisões tomadas e ações concretizadas que nos trouxeram ao ponto em que estamos e que nos posicionam para enfrentar ainda muitos anos pela frente.

Descobrimos, por exemplo, o quão correta foi a decisão, há exatos 10 anos, de reunir nossas faculdades em um Centro Universitário voltado para o desenvolvimento regional, criado em torno de um projeto de qualidade de ensino, comprovada qualificação do corpo docente e ambiente acadêmico apropriado para uma comunidade de alunos mais exigente e diversificada. Essa transformação não só mudou para sempre o perfil e o alcance desta instituição, mas modificou a percepção da própria comunidade acerca do papel da academia em sua gênese e formação. Um salto que, deve ser registrado aqui, não teria sido possível sem o trabalho de uma equipe dedicada de inúmeros profissionais que se entregaram a um projeto com competência e decisão. Não se chega a um Centro Universitário sem pessoas capacitadas e motivadas.

Outro ponto a ser destacado é o da ampliação do número de graduações oferecidas. Hoje o UNIFEMM oferece 19 opções de cursos, em um movimento contínuo. O curso de Arquitetura e Urbanismo foi apresentado em 2015. O de Engenharia Química, lançado este ano, ampliou para seis as especializações neste campo. A criação das Engenharias, a propósito, demonstra uma característica importante do modo como a instituição entende e trabalha a realidade local. Pois além de atender a um sonho antigo, o surgimento das Engenharias nasceu em resposta à grande modificação do perfil socioeconômico de Sete Lagoas e região, que passou a exigir de forma evidente profissionais dessas áreas do conhecimento. Este trabalho, inclusive, contou com o entusiasmado suporte da comunidade empresarial da região, emprestando profissionais para contribuir no desenho de uma estrutura curricular adequada e para formar um corpo docente que agrega conhecimento e experiência em sala de aula. Igualmente importante foi a criação da área de saúde, dada a importância de Sete Lagoas que é um polo regional de atendimento a uma população de mais de 600 mil habitantes.

A consequência dessa expansão é significativa, se estende para além dos muros desse Centro Universitário. Hoje a maioria dos jovens que projetam seu futuro não precisam mais olhar além de nossa cidade, aqui encontrando oferta de educação superior variada, de qualidade e apta a prepará-lo para seu desenvolvimento. Isso aumenta o sentido de pertencimento e identificação local. Dessa forma, o Centro Universitário amplia sua participação nas grandes discussões na vida da cidade e região, funcionando como caixa amplificadora de importantes discussões e contribui, em muito, para enraizar aqui o conhecimento e a especialização gerada, em benefício da própria comunidade.

Ao mesmo tempo, reformulamos nossos cursos de pós-graduação com a criação do Unifemm Business School (UBS), que nasceu com o objetivo de aproximar ainda mais o ensino acadêmico da experiência profissional, para melhor capacitar profissionais às demandas do mercado de hoje. Os cursos foram montados sob esse prisma e os professores se destacam por acumular em seus currículos anos de vida profissional. E por meio de parceria com a Associação Comercial e Industrial de Sete Lagoas(ACI), criamos um ambiente apropriado para as aulas.

Esse crescimento curricular foi acompanhado de uma grande expansão e modernização do campus UNIFEMM. Pode-se destacar, entre inúmeros investimentos, a construção de novas salas de aula e de um complexo de laboratórios, ampliando nossa capacidade de atendimento para mais de 5 mil alunos por ano. Nossa biblioteca, a maior da região, foi modernizada tecnologicamente com a adoção de acervos digitais de grandes corporações de ensino brasileiras e internacionais. Concluímos nosso ginásio poliesportivo, que já se transformou em ponto de referência em termos de tamanho e qualidade de suas instalações, qualificando-o para receber eventos esportivos de grande porte.

Por fim, entre muitas das realizações desta última década, devemos citar o curso de Mestrado em Biotecnologia e Gestão da Inovação. Lançado em 2014 e já em sua terceira turma, é um marco na história dessa instituição. Resultado da união de parcerias com a Embrapa, a Fapemig e a Fundação Biominas, com ele reconhecemos que nenhuma instituição é detentora de todo o conhecimento e que a complementaridade e a sinergia entre instituições e pessoas devem ser buscadas, especialmente quando há um legítimo e poderoso interesse comum.

Em termos educativos, o Mestrado em Biotecnologia e Gestão da Inovação tem grande valor em si mesmo. Ocupa-se de importante área de desenvolvimento científico. Poucas áreas do conhecimento humano avançam em velocidade tão grande quanto a Biotecnologia. E a Gestão da Inovação complementa essa tendência de forma integralizada, envelopando-a em um contexto de avanço contínuo, com rigoroso controle metodológico e sistêmico.

 

Para o UNIFEMM, o mestrado também se reveste de grande importância estratégica pois ele, de forma premonitória, nos coloca no caminho do futuro. Vivemos hoje uma mudança estrutural na economia mundial que observadores e futurólogos já classificaram como o início da “Quarta Revolução Industrial”. Ela aprofunda os elementos da “Terceira Revolução”, a da computação, promovendo uma “fusão de tecnologias” ao derrubar as linhas divisórias entre as esferas físicas, digitais e biológicas, cujos resultados afetarão exponencialmente todos os setores da economia, em todas as regiões do mundo. As primeiras influências já podem ser sentidas nos setores da saúde, do meio ambiente e na agricultura.

A Bioengenharia avança com grande velocidade, promovendo transformações ao mesmo tempo espetaculares e assustadoras. Surge uma nova Medicina, apoiada na Engenharia de Equipamentos e Engenharia de Software, e que já vem sendo chamada de Engenharia Médica. A “internet das coisas”, por sua vez, preconiza um futuro de possibilidades ainda não sonhadas. E a robotização, antes um tema de ficção científica, é hoje uma realidade crescente. Se antes eles se limitavam a substituir o homem em trabalhos mecânicos repetitivos, agora já começam assumir tarefas intelectuais repetitivas no setor de serviços.

Transformações como estas alterarão os modelos e as formas de se fazer negócios. E deverão, inevitavelmente, promover profunda reforma no mercado de trabalho. Presume-se que em pouco mais de uma década profissões inteiras poderão desaparecer em função de algoritmos cada vez mais inteligentes. Em consequência, as mudanças socioeconômicas e demográficas serão profundas. Ou seja, nosso modo de vida não mais será o mesmo. No último Fórum Mundial de Davos, em 2016, foi feito um alerta: essa transformação trará ganhadores e perdedores. Nunca, na perspectiva da história humana, houve um tempo de maior promessa ou potencial perigo, dependendo do grau de preparação de uma sociedade para enfrentar esse novo momento.

 

Naquilo que impacta diretamente uma instituição de ensino superior, essa nova revolução nos leva a considerações de caráter prático, mas também nos leva a contemplar horizontes mais amplos. De imediato, é evidente que os cursos formatados pelo Ministério da Educação – MEC em torno de rígidas estruturas curriculares passarão por uma profunda revisão. Por um motivo simples: toda essa mescla de tecnologia e conhecimento está mudando por completo a forma como vemos e interferimos em nosso mundo.

Em consequência, as profissões, como as conhecemos, vão mudar. Algumas vão desaparecer ou perder importância. Outras, novíssimas e ainda sequer nomeadas, surgirão com potencial de mudar nossas vidas.

Um centro universitário precisa acompanhar esse processo de inovação, evidentemente – e estamos fazendo isso. Mas também deve cuidar para que seus alunos sejam igualmente preparados para este novo momento. A Universidade não pode mais ser vista simplesmente como um degrau para o próximo emprego. Temos a convicção de que precisamos formar pessoas que façam a sua história. Pessoas conscientes e dotadas de autoconhecimento para enfrentar novas situações que exigirão capacitação técnica, caráter e espírito empreendedor. Pessoas que não temam a inovação e suas consequências. Pessoas com consciência cidadã, com postura participativa na sociedade, sintonizadas com o que está acontecendo ao seu redor e que sejam capazes de fazer escolhas, de tomar decisões, de gerir seus destinos e de fazer a diferença.

 

O papel do UNIFEMM neste universo é sua inserção na realidade local, sintonizado com os problemas regionais e participativo na sugestão das soluções deles, com pessoas e recursos da região. E o que nos dá forças e alimenta nossa expectativa de sucesso é exatamente nosso material humano. Como ensinou o renomado médico e educador Zeferino Vaz, que nos anos 1960 liderou a construção e o estabelecimento da Universidade Estadual de Campinas como uma instituição de pesquisa sólida e respeitada, as três prioridades de uma instituição de ensino superior são “cérebros, cérebros e cérebros”. Temos hoje um número de professores mestres e doutores muito acima dos níveis exigidos pelas normais educacionais, e cada vez mais esses mestres e doutores são da própria região. E essa tendência deve continuar. O que nos permite olhar para o futuro com serenidade, mas também com a certeza de que muito esforço, atenção e dedicação serão necessários.

Quando nos defrontamos com esse desafio, consultamos nossa história. E é com grande conforto que vemos as realizações acumuladas nos 10 anos de UNIFEMM e nos 50 anos da FEMM. Muito foi feito nestas cinco décadas e esse esforço concentrado nos empurra adiante. Como diria o físico inglês Isaac Newton ao promulgar as três leis fundamentais da física, “somente pude enxergar mais longe por ter me apoiado sobre os ombros de gigantes”. Ele se referia aos estudiosos, filósofos e cientistas que o precederam. Pois sob os ombros de nossos antepassados que construíram essa grande instituição, miramos o futuro e reafirmamos, serenamente, a fé em nosso crescimento.

Por: Antônio Fernandino Bahia Filho

 

Texto extraído da Revista em Comemoração aos 50 Anos da FEMM "Preparados para o Futuro". Edição 2016

Clique aqui e confira a versão online da revista.

Confira outras Notícias

A+
A
A-
PD
AC