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Memórias: Superando as Dificuldades

Quem hoje analisa o Centro Universitário UNIFEMM, referência regional em educação superior, não imagina as dificuldades enfrentadas para a concretização desse sonho. Nos biênios 2003/2004 e 2005/2006, e principalmente neste último, várias pessoas dentro e fora dessa instituição empreenderam um grande e desafiador esforço acadêmico e financeiro com o objetivo de preparar as faculdades isoladas da Fundação Educacional Monsenhor Messias para se tornarem um centro universitário. Havia, pela frente, uma grande pauta de questões a serem resolvidas.

Uma delas era a melhoria de titulação dos docentes. Requisito do MEC para credenciar o Centro Universitário, exigiu, em 2003 e 2004, reduções relevantes na carga horária de professores com baixa titulação em prol de outros mais qualificados. Nesse processo, entretanto, diferenças de interpretação da complexa Convenção Coletiva de Professores geraram um oneroso passivo trabalhista (que perseguiria a instituição por muitos anos). À essa despesa somaram-se os altos investimentos exigidos para obras de infraestrutura. Esse conjunto de fatores comprometeu ainda mais o endividamento da instituição, que já era alto, com despesas financeiras elevadas. A reserva financeira que a instituição possuía foi quase toda consumida e, potencializado por um saldo de caixa reduzido, o final do exercício de 2004 foi dramático

Assim, o ano de 2005 começou exigindo mudanças drásticas de procedimentos. Em fevereiro, o Dr. Antônio Fernandino de Castro Bahia Filho, que já prestava consultoria gratuita para a FEMM, assumiu o cargo de Reitor e me convidou para ser Diretor Administrativo e Financeiro, posição que eu ocupava interinamente desde 2004 em paralelo à minha atividade de professor da casa. Para ser Diretora Acadêmica, foi convidada a Professora Vanessa Paiva, também professora da instituição.

Durante a segunda visita do MEC, em junho de 2005, viu-se que apesar de um projeto pedagógico razoavelmente estruturado, faltava à instituição a sustentabilidade econômico-financeira e fontes de recursos para se tornar um Centro Universitário. Porém, tínhamos uma estratégia: em uma das reuniões com a equipe do MEC, realizada na sala do Dr. Antônio Bahia, apresentamos, de forma transparente, um plano de recuperação consistente, eficaz, eficiente e tempestivo, de curto, médio e longo prazos. Nele, mostramos as dificuldades, mas também as propostas de gestão para superá-las. E fomos bem-sucedidos.

Foi determinante o entendimento, por parte da equipe do MEC, de que havia compromisso da nova equipe de gestão da instituição. A chefe dos avaliadores foi incisiva ao dizer: “Concederemos o credenciamento porque vocês nos convenceram da seriedade com que estão conduzindo esta instituição, e de sua capacidade de superação, estruturando ações consistentes que revelam visão de gestão, sobremaneira no aspecto econômico e financeiro. Merecem nosso voto de confiança”.

Nossa responsabilidade só aumentou. Os gestores sabiam que cumprindo as medidas apresentadas à comissão do MEC garantiríamos a perenidade dos negócios da instituição. Assim, uma forte reestruturação começou em 2006 e que, bem-sucedida, resultou na criação do UNIFEMM com o credenciamento em junho daquele ano.

Entre as várias ações adotadas entre as visitas do MEC de 2005 e a de 2006, destacamos a racionalização de gastos e a revisão do volume de “horas-função”. Reestruturamos a área de Recursos Humanos, uma grande fragilidade da instituição, com melhoria em recrutamento, seleção, integração, assistência, desenvolvimento de pessoas, incluindo o plano de carreira e a avaliação de desempenho de docentes e corpo técnico administrativo

Adotamos sistemas de controle gerencial em sustentação ao processo decisório e reformulamos a gestão contábil-financeira, a TI (incluindo um novo ERP), a administração de materiais e patrimônio. Implantamos a cultura de projeção orçamentária com avaliação de resultados ligados a metas.

Foi criada e implementada a estrutura de Centro Universitário em termos administrativos e acadêmico, incluindo um regimento e um estatuto. Abandonamos a visão departamental em favor da visão por processos. A área de Comunicação & Marketing foi criada para fortalecer a marca e aumentar a competitividade e a visibilidade da instituição.

E um novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) deu origem a um planejamento estratégico, que ampliou a abrangência dos cursos para as áreas de engenharia e saúde, com o que a instituição se abriu de maneira mais ampla para a comunidade, aumentando sua capacidade de influir com o desenvolvimento de Sete Lagoas e região, cumprindo seu papel institucional e sua missão, a despeito das intempéries e vicissitudes. Diversos projetos e parcerias com órgãos públicos e privados contribuíram muito nesse processo de integração com a comunidade.

Do momento difícil de 2005, passando pelo plano de reestruturação e até o atendimento às exigências do MEC em 2006, vivemos um momento realmente duro, tenso, o que fez da criação do Centro Universitário uma vitória a ser comemorada por todo o time do UNIFEMM.

Os fatos são eloquentes. Desde então, o número de cursos se multiplicou e o número de alunos praticamente duplicou. A inadimplência caiu para cerca de 5%, e para menos de 4% no processo de rematrícula, abaixo da média nacional para estabelecimentos congêneres. O índice de evasão está abaixo de 5%. E apresentamos resultados superavitários nos últimos anos, apesar dos problemas do país e do aumento da concorrência local.

O voto de confiança da equipe do MEC foi plenamente justificado. E continua sendo, para toda a comunidade do UNIFEMM, em todos os níveis hierárquicos e atividades desenvolvidas, um permanente desafio e fonte de motivação, que continua a exigir de nós trabalho, sacrifício, comprometimento, todos os dias, para continuarmos a oferecer os melhores e mais relevantes serviços educacionais de Sete Lagoas e região.

Texto extraído da Revista em Comemoração aos 50 Anos da FEMM "Preparados para o Futuro". Edição 2016

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