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Memórias: Concretizando um Sonho

Fui contaminado pela determinação dos pioneiros para participar da sonhada obra da construção do Campus da FEMM quando uma área excelente foi doada à instituição por José Cyrilo Leão, às margens da Avenida Castelo Branco que, na época, era ainda projetada, só com algumas obras de bueiros em execução.

Havia um esboço de projeto em cartolina, elaborado no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, indicando a locação de edifícios e alguns conceitos escritos numa das margens. Este trabalho foi feito por solicitação do deputado Renato Azeredo. Ele, sabendo que eu me integrara ao grupo da FEMM para construir o Campus, sugeriu que fôssemos ao famoso arquiteto para solicitar o projeto detalhado.

Poucos dias depois, estávamos no escritório de Oscar Niemeyer, na Av. Atlântica, no Rio. Estavam no grupo, além do deputado Renato Azeredo, o prefeito Afrânio Avellar, o engenheiro e secretário de obras da Prefeitura, Sastre Soares Moreira, o arquiteto Paulo Rogério Paiva e eu. Sentado num pufe, quase ao nível do chão, o grande arquiteto iniciou uma longa conversa com Renato, amigo dos tempos de presidência de Juscelino, sobre os feitos e acontecimentos que envolviam o ex-presidente.

Quando pudemos falar sobre o projeto da FEMM, o arquiteto reconheceu, pelos manuscritos da cartolina, que o trabalho havia sido feito por um auxiliar que não mais estava na sua equipe. Prometeu que iria localizá-lo para elaborar o projeto. Despedimos bem no final da tarde. A longa conversa nos fizera perder o último voo para Belo Horizonte. Saímos pela Avenida Atlântica à procura de hotel, o que foi muito difícil de encontrar naquele verão de janeiro.

Não estávamos otimistas e decidimos que, em caso da inviabilidade da participação de Niemeyer, acertaríamos com arquitetos locais. E assim ocorreu, e em pouco tempo estávamos com Paulo Rogério Campolina Paiva e Maria Eunice de Avellar Marques prontos para realizar o sonho de construir o prédio, primeiro da Faculdade de Direito.

Para facilitar a compra de materiais e outras providencias junto à comunidade, foi constituída uma Comissão de Obras integrada por José Tavares Leão, o Zizinho, Alberto Moura, Tito Alves Costa, Paulo Rogério e eu, sendo a minha parte a de administrar as obras como responsável técnico. Depois de definida a locação dos edifícios, os acessos e estacionamento, Zizinho também se dedicou à arborização do Campus, trazendo de sua fazenda os operários para abrir as covas locadas por ele, além de escolher as espécies, o que fez de forma intuitiva e muita dedicação.

A concretagem do primeiro tubulão do primeiro prédio foi uma festa. Estavam ali presentes quase todos os fundadores e cada carrinho de concreto jogado no buraco escavado era saudado com foguetes, levados por Tito Alves Costa. Dali em diante, fomos tocando a obra, projetada com 120 metros de comprimento por 18 metros de largura e com dois andares, num total de 4.320 metros quadrados.

A construção foi feita lenta, mas contínua. Resolvemos dividi-la em duas partes, devido aos recursos disponíveis. Terminada a primeira metade que tinha 60 por 18 metros esta passou a funcionar, pois ali já havia o hall de entrada, escada, salas de aula, uma sala de direção e dos professores, instalações sanitárias e uma cantina improvisada, enquanto prosseguíamos a obra da segunda parte. Para compatibilizar os trabalhos com o pouco dinheiro, e acelerar as obras, fizemos as paredes em blocos de concreto sem reboco e os pisos apenas cimentados.

Estavam na inauguração além dos funcionários e conselheiros, autoridades, entre elas o deputado Renato de Azevedo. Quando fui solicitado por ele a explicar os blocos de concreto aparentes, em tom de brincadeira, acrescentei que foi exigência de Zizinho, para prestar contas de tijolo por tijolo.

Pouco tempo depois, minhas atividades profissionais reduziram drasticamente a disponibilidade de tempo para me dedicar à FEMM. Solicitei então a Paulo Rogério, que acompanhara toda a construção, que ele mesmo assumisse a continuidade das obras, depois de acerto com Dr. Marcelo Viana, então presidente da FEMM. Mas de vez em quando eu ia visitar as obras, incluindo as salas de aula para abrigar os alunos dos novos cursos, além da Reitoria, Biblioteca e Auditório, este projetado pelas arquitetas Maria Eunice e Sonia Neiva em 1979.

A oportunidade de poder compartilhar com tantos idealistas a concretização desde o início da UNIFEMM de hoje é, para mim, uma recompensa. Vê-la vitoriosa e um marco para a história de Sete Lagoas só nos faz lembrar os sonhadores ao longo da sua trajetória, nominados em outros espaços dessa revista comemorativa dos 50 anos.

Afonso Henrique Paiva Paulino

 

Por: Afonso Henrique Paiva Paulino

Texto extraído da Revista em Comemoração aos 50 Anos da FEMM "Preparados para o Futuro". Edição 2016

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